A vida vegana de Zé

José Roberto da Silva Machado, o “Zé”, é a mente culinária e criativa por trás do restaurante Caminho do Mar. Localizado há quase oito anos na Estrada do Pontal, 3091, vizinho à Prainha, o Caminho do Mar é o tipo do recanto que já faz bem ao mundo apenas por existir.

A”vibe” orgânica da casinha começa por sua fachada, onde pinturas de ondas e flores são emolduradas por grandes amendoeiras. O interior, todo em madeira, é dotado de desenhos, fotos, e uma estante para distribuição gratuita de livros.

O lema ali, segundo Zé, é: “vida simples e pensamento elevado”.

A fachada do restaurante: recanto para alimentar corpo e espírito. Foto: ANM.

A fachada do restaurante: recanto para alimentar corpo e espírito. Foto: ANM.

As tatuagens de frutas e legumes que cobrem parte do braço esquerdo de Zé já dão a dica: em sua cozinha não entram animais de nenhum tipo, seja carne vermelha, ou branca. Os pratos veganos servidos à R$30,00 também não levam laticínios.

Queijo ali, só o tofu de soja.  Outros protagonistas são o inhame, abóbora, limão, alga Hijiki e grãos, como a cevadinha e a chia. As sobremesas incluem tortas e bolos integrais. Já o suco verde faz sucesso antes da hora do almoço.

Zé trabalha há 35 anos com alimentos e diz que seu “portal” para a alimentação vegetariana foi através da “macrô”, ou culinária macrobiótica.  “Hoje eu acho que evoluí. Da comida natural até o veganismo, foi um caminho”, conta. Quem o conhece  sabe que ele é “ponta-firme” na hora de defender seus ideais de saúde e ecológicos:

“As pessoas tem que encontrar sua linha e permanecer nela. Ensinar as pessoas a serem vegetarianas não é ser ditador. É disseminar uma ideia de vida diferente, que traz conceitos sobre respeito aos animais, aproveitar ao máximo seu alimento e cuidar de seu lixo depois.”

Novas receitas, novos hábitos

O surfista Fred Vanderlei frequenta o Caminho do Mar desde sua abertura e conta, em tom de comemoração, sobre as vezes que comeu ali jaca e jiló “como se fosse caviar”: ” O Zé não é um cozinheiro, é um artista. Já estive mal de saúde, vim aqui comer e fiquei bem. Se venho tomar um suco verde antes de pegar onda, chego na água revigorado.”

Zé lançou recentemente o livro Alquimia Alimentar, que explica as receitas da “Maionese sem Ovo”, do “Arroz Integral com Urucum e Louro” e da “Caipirinha Vegan”, entre outras combinações de sua autoria. Para ele, seu trabalho em oferecer cardápios veganos deve ainda  se expandir: “Minha missão tem sido ancorar esse local, mas quero abrir outros “pontos de luz”. Tenho um projeto para o centro da cidade, mas também penso em lugares como a Rocinha e a Cidade de Deus.”

O conceito de “cozinha interativa” pregado por ele, fala que um dos objetivos da culinária vegana é agregar. O momento da preparação deve unir os membros da família, e amigos, para que participem e interajam. Isso ajudaria a quebrar a “automatização” vivida pelas pessoas de hoje em dia, afirma Zé.

Quando perguntado sobre o que viria depois de se alcançar a desintoxicação alimentar, um dos objetivos de sua linha culinária, e alcançado a paz espiritual, a resposta vem com um sorriso seguro: “Depois é a grande surpresa da vida… Que bom que é assim.”

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