Canal das Taxas será ‘abraçado’ no próximo domingo

Quem já passou a pé ou de carro pela avenida Gláucio Gil, a via arterial do Recreio dos Bandeirantes, já sentiu em certo ponto “algo estranho no ar”.

É que na altura da avenida Balthazar da Silveira passa o Canal das Taxas, um córrego aparentemente bonito, mas extremamente poluído, que faz a ligação da Lagoinha, dentro do Parque Chico Mendes, com a Lagoa de Marapendi, na Reserva Ecológica de Marapendi.

O Canal das Taxas deságua sua toxicidade na Lagoa Marapendi, que já faz parte da Reserva Ecológica de Marapendi. Foto: Projeto Olho Verde.

O Canal das Taxas deságua sua toxicidade na Lagoa Marapendi, que já faz parte da Reserva. Foto: Projeto Olho Verde.

O canal faz parte do programa Corredor Ecológico, uma iniciativa em conjunto dos governos municipal, estadual e federal. O local abriga uma mata ciliar preservada e muitos jacarés e capivaras, que mesmo em péssimas condições, servem de atração para famílias que atravessam uma das duas pontes ao longo dos 3,4 km de extensão.

A pouca oxigenação não suporta peixes, e essa degradação é proveniente de fontes irregulares de emissão de esgoto, como em diversos pontos da comunidade do Terreirão, e vazamentos no próprio sistema de coleta da CEDAE.

Com esse deságue irresponsável, o número de coliformes fecais ultrapassa em exorbitantes 160 mil vezes o padrão máximo, estipulado pelo Instituto Estadual do Ambiente, o INEA.

Fonte: Grupo Movimento de Despoluição do Canal das Taxas.

Fonte: Grupo Movimento de Despoluição do Canal das Taxas.

Forçando a virada desse panorama, doze moradores do bairro se articularam por meio do grupo Recreio dos Bandeirantes no Facebook, e iniciaram em maio de 2013 o Movimento pela Despoluição do Canal das Taxas.

O grupo organizou documentação sobre o estado do canal e abriu um inquérito civil na justiça, para que o Ministério Público movimente as entidades responsáveis. São elas: a CEDAE – no correspondente à melhoria nos vazamentos de seu sistema – e a  Rio Águas e o INEA – com relação à dragagem do canal.

Moradores do Recreio e ambientalistas se reúnem para discutir o "abraço" ao Canal das Taxas. Foto: Grupo Movimento de Despoluição do Canal das Taxas.

Moradores do Recreio e ambientalistas se reúnem para discutir o “abraço” ao Canal das Taxas. Foto: Grupo Movimento de Despoluição do Canal das Taxas.

Os integrantes pedem através do inquérito que o canal seja incluído no plano de dragagens estipulado para as Olimpíadas de 2016, que o INEA irá executar, e que a CEDAE fiscalize os condomínios e comunidades que jogam esgoto através de ligações clandestinas.

Como a justiça é lenta e o incômodo pelo gás sulfídrico e o metano emitidos no local é cotidiano, está sendo organizado pela primeira vez um ato público pelo canal, na forma de um “abraço”.

Os participantes vão dar as mãos em torno do canal no próximo domingo, dia 13 de abril, às 10h, com o intuito de chamar a atenção da mídia e demais moradores do bairro para a causa. O local de encontro será em frente à estação elevatória de esgoto da CEDAE, na própria avenida Gláucio Gil.

Houve uma pré-reunião ao ato, na sede do Parque Marapendi, no final de semana passado, e algumas informações técnicas foram passadas aos presentes.

Reunião pré-ato na sede do Parque Marapendi. Foto minha.

Reunião pré-ato na sede do Parque Marapendi. Foto: ANM.

Raphael Lima, morador do bairro e gestor público do estado, auxiliou o grupo com os trâmites do inquérito. Segundo ele, para o evento ser bem-sucedido o número de participantes deve ser de, no mínimo, quinhentas pessoas.

Outra integrante da equipe, Conceição Alves, ressaltou o potencial participativo da comunidade local no movimento: “Sou moradora do bairro. Somos profissionais, donas de casa, não temos dom de política, mas de exercer nossa cidadania. Estamos presenciando um caso de saúde pública, e o Recreio deve receber o valor que ele merece”, disse.

Apoiam o movimento pelo Canal das Taxas, a Comissão de Direito Ambiental da OAB, o Subcomitê Lagunar de Jacarepaguá, a Associação de Moradores do Recreio dos Bandeirantes (AMOR), o biólogo Mario Moscatelli, comerciantes e escolas locais.