Comida de laboratório em alta no Brasil

Uma pesquisa divulgada em 6 de fevereiro, por uma empresa estrangeira que promove o crescimento da biotecnologia no campo, revelou que o Brasil é atualmente o segundo maior produtor com sementes transgênicas do mundo!

Nosso país cultivou em 2013, 40.3 milhões de hectares de soja, milho algodão ou feijão modificados geneticamente, perdendo apenas para os EUA, que atingiu o marco dos 70.1 milhões de hectares.

Sementes de soja em um tubo de ensaio. Foto: Daniel Acker.

Sementes de soja em um tubo de ensaio. Foto: Daniel Acker.

Nossa produção aumentou em 10% com relação ao ano de 2012, e segundo a matéria do Wall Street Journal, que divulgou esses dados da pesquisa, esse aumento aconteceu pelas rápidas aprovações de novas sementes modificadas em nosso país.

Em minha opinião essa notícia é um absurdo, pois os OGM´s são seguramente um assunto delicado e que não teria aprovação pela maioria da população caso fosse trazido à tona pelo governo e empresas envolvidas.

E está acontecendo a seguinte tendência: o Brasil faz parte de um grupo de países menos industrializados, que ultrapassou pelo segundo ano seguido o marco de produção dos OGM´s em relação à nações mais desenvolvidas, que estão recuando à esse tipo de cultivo.

Segundo o estudo divulgado, 90% dos 18 milhões de fazendeiros que cultivaram plantas transgênicas são pobres e possuem pequenos pedaços de terra. Ou seja, a questão afeta diretamente o pequeno agricultor. Foto: Google Images.

Agricultora em plantação de milho em Moçambique. Foto: FAO/ Guiseppe Bizarri.

Países como Burkina Faso e Sudão, na África, mais do que dobraram sua produção no último ano, e o Canadá, por exemplo, reduziu a adesão pois os agricultores locais decidiram retornar à canola não-modificada para favorecer as receitas tradicionais de pães. Países do hemisfério norte como Noruega e Áustria, já tem uma legislação consolidada sobre o banimento de inúmeros tipos de sementes modificadas.

Quero dizer com esse argumento, que a cultura de OGM´s é oportunista com relação a países onde os governos são menos responsáveis e a população é mais ignorante, em geral.

Segundo o estudo divulgado, 90% dos 18 milhões de fazendeiros que cultivaram plantas transgênicas são pobres e possuem pequenos pedaços de terra. Ou seja, a questão afeta diretamente o pequeno agricultor.

Queremos “ostentar” esse cenário aqui no Brasil?

Com relação aos possíveis efeitos dos modificados para o corpo humano, muitas pesquisas “oficiais” dizem não ter dados conclusivos sobre seus malefícios.

Relembrando que: uma variedade transgênica é criada em laboratório, onde foi sujeita a uma espécie de enxerto proveniente de uma bactéria, vírus ou animal (ou uma mistura disso). Na Natureza este enxerto nunca “pegaria” pois as plantas, bactérias e animais são seres de reinos biológicos distintos. Essa incompatibilidade pode conduzir a numerosos perigos para a saúde humana e o ambiente.

A informação que adquiri por meio do filme “GMO, OMG” durante o último festival Filmambiente no Rio, é de que a equipe do médico francês Dr.Séralini, fez a mais longa pesquisa com ratos que se alimentavam de grãos modificados, até o ano de 2013. A equipe os acompanhou durante um ano, e chegou à conclusão que a incidência de tumores era super alta ao final desse período.

Transgênicos, uma armadilha do progresso? Foto: Google Images.

Transgênicos, uma armadilha do progresso? Foto: Google Images.

Após o filme, houve um debate com a especialista em defesa do consumidor do Ministério da Justiça, Solange Teles, e ela afirmou que os estudos com ratos feitos pela Embrapa, a maior pesquisadora de grãos modificados do Brasil, duram apenas quatro meses, e o período não é suficiente para obtermos dados embasados.

Segundo o site Planeta Sustentável, que também divulgou a pesquisa, o autor do estudo alegou que o desenvolvimento de feijões resistentes à vírus pela Embrapa aqui no Brasil, foi feito “com recursos inteiramente nacionais”, e representa “uma contribuição importante para a sustentabilidade”.

Solução perigosa, benefícios equivocados

A verdade é que essa sustentabilidade propagada por empresas como a Monsanto e a Cargill, não passa de uma solução rentável e de curto prazo para se obterem colheitas maciças de apenas um produto. O termo para eles significa “sustentar” a alimentação de um alto número de pessoas a cada colheita, o que não estaria completamente errado em um mundo extra-populoso.

Mas uma solução realmente sustentável propaga o equilíbrio de longo prazo, e os transgênicos, se pesquisados à fundo, são nada mais que uma armadilha do progresso, que já nos cria novos e perigosos problemas.

O argumento de que a semente se torna mais resistente  à ataques de insetos, perdeu força graças ao surgimento de pragas ultra-resistentes. A possibilidade de as plantações se tornarem monoculturas extensivas altamente produtivas, cai por terra pelo fato de que em médio prazo, aquele solo estará plenamente desgastado, empobrecido em minerais (também pela ausência dos dejetos de uma fauna local) e possivelmente contaminado pelo uso contínuo de agrotóxicos.

O fato de as sementes poderem crescer em climas adversos, parece louvável  para um cenário emergencial, como em um campo de refugiados no deserto, mas seguramente não para as terras do Mato Grosso. A super resistência dessas sementes poderia ser comemorada pelas organizações contra o aquecimento global – o maior motor das mudanças no clima – mas não é, pois quem se aprofundo o mínimo, vê que se trata de uma solução paliativa ao problema.

A rotulação pode ser vista em alguns produtos, populares nas maiores cadeias de supermercados. Foto: Google Images.

A rotulação pode ser vista em alguns produtos, populares nas maiores cadeias de supermercados. Foto: Google Images.

E nos supermercados?

A questão da etiquetagem dos transgênicos foi aprovada no Brasil em 2004, mas desde então, apenas os óleos de cozinha, as rações para animais, o famoso “Cremogema” e alguns salgadinhos, como o Doritos e a Pringles, exibem o “T” amarelo.

Especula-se que a soja transgênica, por exemplo, esteja presente em diversas variedades não etiquetadas como, chocolates, margarinas, maioneses, e até no popular leite Ades (92% da soja cultivada no Brasil é transgênica, eles vendem para todo o Brasil, não tem selo orgânico e se dizem isentos? Estranho.).

A porcentagem do componente transgênico nesses produtos geralmente é bem baixa, mas em minha opinião é premente que os consumidores sejam avisados disso, como uma forma de lhes oferecer opção.

E pasmem, a senadora Kátia Abreu, ou eleita “Miss Motosserra” pelo Greenpeace, abriu em 2007 um projeto de decreto legislativo, para ACABAR com a obrigatoriedade dessa rotulagem especial para alimentos e ingredientes, tanto para humanos como para animais. O projeto foi negado em 2011 pelas comissões de Agricultura e Reforma Agrária, Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado, mas voltou a tramitar na casa, dia 29 de janeiro desse ano!! A chance do projeto ser aprovado agora é baixa, mas existe.

Ou seja, o assunto é extremamente mal-resolvido, e, sem saber, somos potência mundial no assunto. E quanto à você, compraria seu feijão de cada dia, contendo na embalagem o polêmico “T”?

xI