Moradores e políticos discutem soluções para engarrafamentos na Barra

Ontem resolvi checar uma reunião organizada pela Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, que reuniu administradores e políticos atuantes no bairro, sobre as obras e o impacto dos futuros trechos do metrô e BRT.

O tão aguardado metrô da Barra está previsto para 2016, e as obras de extensão da chamada linha Transoeste, que inclui o trecho do corredor de ônibus BRT pela Avenida das Américas já iniciaram.

Confesso que meu interesse principal era ver o prefeito Eduardo Paes (que foi anunciado como convidado) falando sobre o plano de redução de danos aos canteiros de árvores do meio da avenida, medida que foi felizmente pleiteada pelas associações locais.

Mas já na abertura do evento, o presidente da câmara, Delair Dumbrowsky, anunciou que Paes havia cancelado sua presença devido à uma reunião de última hora com o COI. Ok. Fiquei para ouvir. Logo no início o presidente confirmou que as associações conseguiram a manutenção das árvores dos canteiros, “já considerados símbolos do bairro”.

Segundo mostraram os slides de Eduardo Fagundes, engenheiro responsável pelas obras do BRT, a menor parte possível dos canteiros das pistas laterais será eliminada para a elaboração da nova pista exclusiva aos ônibus.

O engenheiro fez uma breve apresentação de slides mostrando o projeto de design e adaptação das estações. Foto: ANM.

O engenheiro fez uma breve apresentação de slides mostrando o projeto de design e adaptação das estações. Foto: ANM.

Outra questão que também gerou comoção por parte das associações de moradores, mais especificamente do Jardim Oceânico, é o previsto terminal de BRT´s + terminal de metrô que será construído na altura da passarela da Barra. Segundo o presidente, em função de o J.O já ser um bairro “consagrado”, as associações locais se esforçarão para conseguir que o metrô avance mais e o terminal seja construído em frente ao Cittá América.

Isso para que a tranquilidade do bairro não seja afetada, nem os imóveis dali supostamente desvalorizados por causa do aumento de movimentação e buscas de vagas para carros na área. Compreendo totalmente o lamento desses moradores, mas não deixo de pensar que soa como uma clássica manifestação de NIMBY (Not in my Backyard), quando os locais recusam receber uma implementação de infra-estrutura que também irá melhorar a vida de outras regiões no entorno.

O engenheiro Fagundes explicou que a Barra receberá sete estações do BRT, do início da Barra, até a Alvorada. Para dar vazão ao fluxo de ônibus, será construído um novo “viaduto do (shopping) Downtown”, ao lado do já existente.

O morador da Barra poderá usar o corredor de ônibus da linha Transoeste até a Alvorada, e trocar para a Transcarioca, e chegar até o aeroporto do Galeão. Foto: Skyscrepercity.com

O morador da Barra poderá usar o corredor de ônibus da linha Transoeste até a Alvorada, e trocar para a Transcarioca, para chegar até o aeroporto do Galeão. Foto: Skyscrepercity.com

Um dos presentes utilizou o momento de perguntas para afirmar que o BRT absorveria um número de passageiros muito menor que o metrô, e a baldeação entre um transporte e outro seria “uma confusão”.

Já falando em voz mais alta, ele chamou o projeto de  “meia-sola” e fez um apelo para que o metrô fosse construído até o Recreio, ao invés de implantarem apenas “mais ônibus”, e utilizarem dinheiro público para a construção de outro viaduto. O senhor foi aplaudido…

A plateia estava lotada e prefeito Eduardo Paes, anunciado no convite, não compareceu. Foto: ANM.

A plateia estava lotada e o prefeito Eduardo Paes, anunciado no convite, não compareceu. Foto: ANM.

O secretário de transportes do Rio, Alexandre Sansão, respondeu, informando que de acordo com a rotatividade de ônibus será possível com toda a certeza absorver a demanda do metrô. Segundo ele, atualmente 600 mil pessoas/dia se locomovem de metrô no Rio e 200 mil/dia já utilizam o BRT.

A meta da prefeitura é que até 2016 esse números aumentem, e 60% da população do Rio deixe seus carros em casa. Segundo ele: “Quando os dois sistemas estiverem operando juntos, a Barra terá sua mobilidade transformada”.

Os pedestres são minoria  na grande avenida da Barra. E os ciclistas, raramente são vistos ao longo da escondida ciclovia entre o canteiro principal. Foto: uol.com.br

Os pedestres são minoria na grande avenida da Barra. E os pouquíssimos ciclistas, mal utilizam a escondida ciclovia  no canteiro principal. Foto: Uol.com.br

O vereador Carlo Caiado também fez uma contribuição à mesa, anunciando que seu projeto para viabilizar o transporte lagunar no bairro foi sancionado recentemente e estaria em fase de estruturação pela Secretaria de Transportes. Ou seja, entra no plano de metas da prefeitura para as Olimpíadas, transportar a população através de barcas nas Lagoas de Jacarepaguá e afluentes. Tenho no mínimo curiosidade para presenciar isso.

Outras medidas para desafogar o trânsito do bairro foram debatidas, como a ampliação da Rua Dulcídio Cardoso – conhecida como Rua do Canal – para os lados do Jardim Oceânico e do condomínio Nova Ipanema; e a diminuição de sinais na Avenida das Américas, com a construção de mais passarelas para pedestres.

Na última sessão de perguntas, uma voz jovem – minoria entre os cerca de cento e vinte, com idade nos 50+, no salão – perguntou sobre a esquecida ciclovia encontrada no meio dos canteiros, da altura do Downtown até o Barra Shopping. O presidente da câmara respondeu brevemente, entregando a pouca popularidade do meio de transporte no bairro: “Será mantida.”

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