No Ecofalante, Washington Novaes é homenageado

Já na reta final do Festival Ecofalante, mais algumas outras boas surpresas rolaram. Uma delas foi a homenagem ao jornalista Washington Novaes, como personalidade importante do meio ambiental, no auditório do Museu da Imagem e do Som.

O cara é realmente um ícone, tem um legado enorme em termos de reportagens ambientais e faz hoje artigos extremamente embasados para o Estado de São Paulo.

Antes da conversa com ele, foram exibidos dois capítulos de seu premiado documentário Xingu.

Achei uma ótima o primeiro capítulo ser da série filmada em 1985, e o segundo, de uma série posterior que a mesma equipe realizou, em 2006. Ficaram bem evidentes as mudanças culturais vividas pela tribo localizada no Parque Nacional do Xingu, no Amazonas, nesse gap de vinte e um anos.

Debate no auditório do MIS. Foto minha.

Debate no auditório do MIS. Foto minha.

No debate entre Novaes, o cinegrafista Lula – principal câmera da série – e o jornalista Zuenir Ventura, houveram diversos highlights interessantes. Lula contou que ao chegarem pela primeira vez no Parque do Xingu, estavam certos de que eles eram os civilizados, mas saíram de lá com a ideia ao avesso.

Novaes relatou sua admiração pelas pessoas em uma aldeia por serem completamente livres e auto-suficientes. A igualdade e a cooperação caminham lado a lado, e a liberdade de um índio termina quando começa a do outro, explicou ele.

A espiritualidade e o respeito à natureza são o dia a dia da cultura indígena. Antes de nossa civilização influenciá-los, não havia geração de resíduos, nem sobras. E quando as aldeias chegavam a 250, 300 pessoas, se dividiam para manter a organização em menor escala.

“Como não pensar que eles representam um exemplo para nós, civilizados, que colocamos em perspectiva a finitude de nossa própria cultura?”, disse Novaes no palco.

Lula, o cinegrafista da série Xingu, Novaes e eu.

Lula, o cinegrafista da série Xingu, Novaes e eu.

Hoje em dia, os números evidenciam a cultura em descenso, após o contato com o “homem branco”: são apenas 60 mil índios intocados, para os cinco milhões da época do descobrimento. Novaes explicou que a principal causa da dispersão indígena é a educação bilíngue.

Hoje em dia os jovens não querem ser pajés, os líderes e depositários da cultura. Isso porque não aceitam manter-se em reclusão por dois anos, aprendendo com a floresta; sem sexo, e trabalhando de forma auto-suficiente.

Novaes chegou a apoiar uma iniciativa pioneira quanto ao assunto, originada no Centro-Oeste do país: ajudou na busca de financiamento para uma espécie de bolsa-pajé, para os aprendizes serem remunerados durante o período de lições com os mais velhos.

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