O Biochip da vida

A feira do Biochip de alimentos vivos e sementes germinadas da PUC-Rio acontece há doze anos, todas as quintas-feiras. O lugar é um verdadeiro oásis do pensamento orgânico dentro do verdejante campus da faculdade.

Para os curiosos de primeira viagem pode ser dificil “digerir” as propostas do novo modelo de alimentação, e na prática, os quitutes crus e amornados, além do famoso suco verde.

A pioneira do suco verde no Rio de Janeiro, Ana Branco. Foto: ANM.

A pioneira do suco verde no Rio de Janeiro, Ana Branco. Foto: ANM.

Conversando com Ana Branco, a idealizadora da feira, professora de design e praticante há 20 anos da alimentação crua, escutei definições muito legais sobre o movimento. Segundo ela, o  Biochip é orientado por duas palavras de ordem: sustentabilidade e criatividade.

Mandala de bambu decora a área da mesa para degustação com crianças. Foto: ANM.

Mandala de bambu decora a área da mesa para degustação com crianças. Foto: ANM.

Ana me disse que as duas palavras caminham juntas e estão entre as mais acessadas no Google ultimamente, sendo tendências globais. Através do consumo consciente que valoriza os agricultores familiares locais e evita o desperdício de sementes, frutas e vegetais – comidos crus e germinados – absorvemos a pura energia de criatividade da Mãe Terra. Quer resumo melhor?

A questão do consumo por lá é abordada de duas formas; através da preparação de amostras das comidas feitas pelos voluntários, e da participação na rede solidária de alimentos orgânic0s.

Carol Secco, formada em design pela PUC, trabalha na rede solidária  e acredita nesse novo modelo de consumo coletivo, onde as pessoas encomendam suas cestas de alimentos que vêm direto dos produtores rurais, e assumem o compromisso de buscá-la, toda semana. Segundo ela, o movimento propõe participação social consciente e também a sensibilização ambiental.

“No momento em que você dá importância para a natureza e consome ela de forma íntegra, você se aproxima dela. Ao colocar uma semente para germinar você está fazendo parte desse ciclo. Esse contato gera curiosidade de plantar a semente na terra. Eu mesma já plantei várias sementes na minha janela. Você também passa a ver que o lixo orgânico não deve ser visto como “lixo”.”

Para os que desejam buscar esclarecimentos, Ana Branco se diz disponível, pelo prazer de ensinar: “Isso aqui é uma aula aberta. Valor para mim é ficar sentada aqui esperando o momento do aprendiz. Fazemos tudo aqui “pela graça” pois rompemos com o capital.
Se ele que está levando nosso mundo à destruição teremos de aprender a fazer diferente. Tudo o que é voluntário tem mais força das pessoas.”

Nessa levada questionadora, perguntei a Ana se ela se considerava uma militante de um novo paradigma. A resposta veio bem fundamentada:

“Não sou uma militante. O Biochip é um movimento de pacificação. A diferença de ingerir comida alcalina de PH básico é que ela não gera guerra dentro de seu corpo.  A primeira coisa para encontrarmos a paz é modificarmos a alimentação, modificando assim nosso sangue, antes de nosso entorno.”

Praticamente uma variação sobre Gandhi.

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