Rio “de cara” com sua sujeira

Hoje está fazendo uma semana que uma parte da mão de obra de garis do Rio está em greve, e já tem gente dizendo que o carnaval desse ano foi “inesquecível” pelas montanhas de lixo que se acumularam nas ruas e praias da cidade.

Visão "desoladora" da praia de Ipanema, nessa última quinta-feira, após o fim do Carnaval. Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo.

Visão “desoladora” da praia de Ipanema, nessa última quinta-feira, após o fim do Carnaval. Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo.

Há alguns dias que grupos de garis saem às ruas do Centro, pelo aumento do salário taxado em R$847,00 reais, para um piso em torno de R$1.200,00. Eles também alegam que o sindicato municipal não os representa, já que costuma concluir novas pautas sem convocar reuniões de discussão, e nesse momento, julga como “sem representatividade” o grupo que está em greve, segundo o G1.

Os cerca de mil garis revoltosos irão recorrer ao Ministério Público do Trabalho para revogar o mérito de ilegalidade com o qual a Comlurb denunciou na justiça, a greve. O reflexo dessa retaliação da empresa foi que trezentos garis receberam uma carta de demissão durante essa semana.

Garis vão às ruas do Rio, durante o Carnaval, para pleitear o aumento do piso salarial da categoria. Foto: Google Images.

Garis vão às ruas do Rio, durante o Carnaval, para pleitear o aumento do piso salarial da categoria. Foto: Google Images.

A população da cidade tem mostrado sua indignação para ambos os lados. Há quem acredite que a greve foi escolhida em um momento errado, já que a cidade está lotada de turistas, e a repercussão internacional sobre o lixo nas ruas manchará a imagem da cidade.

Porém, aparentemente a maioria defende a atitude dos garis, pois reconhece que esse salário não é digno – levando em conta o nosso custo de vida atual – e não haveria momento melhor para eles serem percebidos do que em meio à esbórnia do Carnaval.

Aterro do Flamengo, um dos berços principais do Carnaval de rua do Rio, nesses últimos dias.

Aterro do Flamengo, um dos berços principais do Carnaval de rua do Rio, nesses últimos dias.

Todos os cariocas, especialmente os moradores do Centro e Zona Sul, têm sofrido com a situação precária das ruas.  Nesse momento de plena exposição dos hábitos sujismundos da sociedade, muitos aproveitam para levantar o potencial didático do ocorrido.

O jornalista André Trigueiro postou recentemente em seu blog no portal G1, o artigo “Lixo que te quero longe”.   Segundo ele: “(…)o não recolhimento dos resíduos por alguns poucos dias na segunda maior cidade do Brasil inspira várias reflexões importantes e oportunas para todos nós. Será que apenas os garis têm a nobre função de zelar pela limpeza pública? De que maneira tanto lixo foi parar nas ruas? Qual a nossa responsabilidade nessa história?”

Lixo na esquina da rua Dias Ferreira no Leblon, onde paira o metro quadrado mais caro da cidade. Foto: José Raphael Berrêdo/G1.

Lixo na esquina da rua Dias Ferreira no Leblon, onde paira o metro quadrado mais caro da cidade. Foto: José Raphael Berrêdo/G1.

Em minha opinião, há um despreparo em ambos os lados: pela sociedade “foliã” que instituiu há alguns anos, desde a volta do carnaval de rua na cidade, que em dia de bloco é normal acumular o lixo de latas e garrafas no chão; e pela prefeitura, que poderia ter disponibilizado com a ajuda da Comlurb, caçambas tamanho “jumbo” que ficassem escancaradas em cada esquina da cidade, assim os foliões não seriam testados à “acertar” as pequenas aberturas dos cestos laranjas habituais, que também enchem rapidamente.

(agora, impedir que os fumantes continuem jogando guimbas de cigarro no chão, isso parece que só mesmo com lavagem cerebral, infelizmente.)

Que os garis atinjam seus objetivos de dignidade, e tenhamos uma cidade mais limpa, com a cooperação de todos…

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